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sábado, 10 de maio de 2014

Complicações da cirurgia ortognática

Diferente da maioria das pessoas que realizam a cirurgia ortognatia, eu não retornei para casa no dia seguinte ou no 3º dia. Nem mesmo no 1º ou 4º dia. Eu passei ao todo 15 no hospital. Pois durante a cirurgia eu estava sangrando um pouco além do normal, mas nada alarmante, porém quando a equipe estava finalizando a operação eu comecei a sangrar muito, por todo canto. Até mesmo pela testa, no local onde foi fixado um pequeno parafuso para auxiliar nas orientações e medidas. Felizmente toda a equipe foi bastante competente, principalmente o anestesista Braulio Emilio de Jesus Santos, que conseguiu controlar a situação, porém os sangramentos evoluíram bastante e auxiliando o cirurgião principal (Bruno Torres) decidiram não desentubar e me enviram direto para UTI. A cirurgia foi finalizada com sucesso, porém a recuperação dela foi conturbada e “difícil”.

O que aconteceu? Meu rosto ficou extremamente inchado, onde existia espaço entrou sangue, no rosto e garganta basicamente; no inicio eu nem conseguia abrir os olhos (acho que principalmente o esquerdo).  Como tratamento eu recebi seis bolsas de PLASMA, o que é considerado uma dose elevada. A garganta ficou totalmente obstruída e então continuei respirando do mesmo jeito que respirei durante a cirurgia, caso contrario seria necessário realizar traqueostomia para respirar. E como conseqüência desse uso prolongado do tubo para respirar, contrai tuberculose. Também foi necessário colocar sonda para me alimentar, passando pelo nariz.

Após longos 6 dias na UTI, segundo os médicos eu estava um tanto quando impaciente, não sei como eu comecei a remover o tubo de respiração, e quando o medico da UTI notou, o tubo de respiração estava praticamente removido. Então ele terminou o serviço. Seis longos dias, extremamente tedioso, que eu não lembro muito, lembro de ficar trocando o aparelho que mede pulso do dedo, e ficar alterando entre os dedos. E também de estar amarrado à cama, não fui um paciente exemplar, tive altas alucinações. E elas me colocaram em perigo. Acho que eu removido as agulhas do soro uma ou duas vezes, e também tentei me levantar da cama. Por causa dessa estupidez que fiz, e das alucinações que tive, relutei em escrever esse post, relembrar do hospital é um saco.

Cuidado com o Freddy Krueger!!! (Bruno tem uma foto minha com 3 dias)
Fica mais um dia e meio na UTI no “modo apartamento”, pois não havia vaga nos apartamentos. Depois disso, mesmo fora da UTI, ainda sim era complicado em alguns momentos distinguir realidade das alucinações. Mas dessa vez eram “mais leves”. Eu recebia uma medicação especifica que era algo como um reforço para tuberculose, junto com um monte de remédio, pela veia, e uma na barriga, todo hora estava com soro. Durante esse período a minha respiração começou a piorar, mas tanto que era difícil respirar, e algumas vezes pedi para aspirarem meu nariz (parecido com videolaringoscopia).
Alimentação se resumia apenas sucos, água de coco e iogurte de pêssego (sim, era para ser aleatório, mas 90% das vezes recebia apenas esse sabor) e no final consegui tomar sopa e mingau, e nesses seis dias, lá pelo 3º dia, passei no apartamento recebi uma mistura nutritiva que em temperatura ambiente e sabor baunilha principalmente, da uma ânsia de vomito terrível, e que lutei bastante, pois vomitar com a boca extremamente inchada e com abertura de boca de um dedo, deve ser estranho. Mas gelado, a mistura até que era boazinha.  

Eu tinha acompanhamento de fisioterapeutas, pois os dias na UTI e a quantidade de sangue que perdi me deixaram bastante debilitado. No inicio eu nem conseguia andar direito... tire por ai como eu estava.
Acho que no 3º ou 4º dias após a cirurgia, meu tio Luiz conseguiu levar hematologista para UTI, para ver se conseguia ajudar no meu tratamento. O Dr. Osvaldo Alves de M. Neto, que logo que chegou já conseguiu tirar algumas opções de doenças ou distúrbios que poderiam ter ocasionado a complicação. Dois meses depois de sair do hospital, e com meu corpo mais limpo da enxurrada de remédios que tomei. Voltei a me consultar com Dr. Osvaldo, para tentar descobrir o que aconteceu. E após 1 mês e meio de idas e vindas para laboratórios, fracos e mais frascos de sangue à serem examinados. Nada de anormal foi constato, ou seja, não foi possível descobrir o que ocasionou a complicação. Diagnostico inconclusivo, mas sendo o Dr. Pode ser o estresse, pois a cirurgia ortognatia é muito evasiva e assim como outra cirurgia qualquer pode haver hemorragia. E caso seja necessário realizar outra cirurgia, seria bom contar com a ajuda dele, para monitorar os níveis das substâncias do meu sangue.
  1. Lista de exames feitos:
    • Hemograma Completo
    • Tempo de protrombina
    • Tempo de protrombina parcial ativada
    • Retração do coágulo
    • Aspartato amino transferase
    • Creatinina
    • Alanina amino transferase
    • Colesterol(HDL)
    • Colesterol(LDL)
    • Colesterol total
    • Colesterol VLDL
    • Fosfatase Alcalina
    • Gama glutamil transferase – gama gt
    • Ureia
    • Fibrinogênio Viajaram:
    • Cofator Ristocetina – Fator V. Willebrand
    • Fator XIII
    • Fator de Von Willenbrand
  2. remessa de exames
    • Hemograma Completo
    • Complemento Serico C3
    • Complemento Serico C4 Viajou:
    • Inibidor C1 – Esterase

Leu tudo isso e desanimou? Veja pelo meu lado, tive uma recuperação entre MUITO BOA e BOA, provavelmente eu teria uma recuperação ÓTIMA. Não se preocupe isso é apenas um mero relato, pensando por outro lado, essa é a hora de realizar a cirurgia ortognatica, já que um infortúnio desses não acontece "todo dia"... as estatísticas estão ao seu favor. 



terça-feira, 15 de abril de 2014

5 meses de cirurgia ortognatica

Dos 2º até o 3º mês eu já estava iniciando a volta para atividades corriqueiras, e que demandassem certo esforço. Com pouco mais de 2 meses voltei a andar de moto, tive muito cuidado para colocar e remover o capacete, já que era um pouco justo, mas nada que incomodasse. Muito estranho ficar um tempão sem andar de moto, então é bom voltar aos poucos e devagar... para se acostumar novamente com a moto e o transito. Voltei a carregar algumas coisas um pouco pesadas algo do tipo cadeira de madeira, carregar pacotes de compras. Não mudou muito a sensibilidade e a abertura de boa.

Com exatos 3 meses, e após muito enchimento de saco da minha irmã, me matriculei na academia, e alertei o instrutor que eu estava retornando de um pós-operatório, e comecei pegando pesos BEM leves e nada de corridas na esteira ou bicicleta, e tomando cuidado para não fazer qualquer esforço, sendo que mesmo com pouco peso, cansa bastante. Resultado, após o primeiro dia no caminho de casa eu comecei a sentir um pouco de pressão na área dos cortes da mandíbula, era um sensação que nunca tinha ocorrido, não incomodava, apenas era estranha e como nunca havia ocorrido me preocupei. Mas como no dia seguinte pela manha a sensação cessou, fui novamente para academia só que dessa vez era para malhar perna, e para surtir efeito era necessário utilizar muitos pesos, comecei com 30kg não parecia ser muito, mas no final a repetição do exercício fazia com que o esforço aumentasse. E com isso a mesma sensação estranha do dia anterior retornou, mas logo que acabei com o exercício, e mais intensa. Preocupei-me mais ainda, e o pior que demorou uns 4 dias para passar, e como estava faltando poucos dias para me consultar com o cirurgião Bruno Torres, deixei de malhar. Até que na consulta ele falou que agora era vida nova, eu poderia voltar a fazer tudo normalmente, comer tudo normalmente. Baita emoção ouvir isso, e ele ainda checou como estava minha abertura de boca. Mas depois caiu a ficha. Depois que você passa 3 meses inerte, sem fazer muito esforço para voltar ao normal requer tempo... ainda mais para mim que tive um pós-operatório delicado e conturbado. Esse foi o sinal de que eu poderia retornar para academia, tentei manerar mais ainda. Depois disso a sensação estranha não retornou. E também vale ressaltar que poder voltar a comer tudo, é uma doce ilusão já que eu ainda estou usando aparelho ortodôntico. Em fase final, mais ainda sim devo zelar pela integridade do mesmo.

Agora sim, com 4 meses no quesito físico, voltei ao normal. Mesmo com fator catalisador: academia. É necessário tempo. Um pouco antes desses 4 meses comecei a “correr devagar”, pelo que eu lia por ai, com 2 meses e tanto já tinha gente correndo...

Atualmente está tudo normal, exceto alimentação que ainda tenho cuidado para não danificar o aparelho ortodôntico, que alias já estou quase me removendo-o. Faz um mês que já teria condições de remove-lo porém os dentes “retrocederam”, usando elástico par posicionar os dentes após certo tempo sem utilizá-lo acaba interferindo um pouco na posição dos dentes em questão. Ainda é necessário evitar impactos na mandibula e maxila, por isso que nem cheguei a andar de bicicliceta... ou praticar alguma arte marcial.

A boa e velha parestesia, faz uns 2 meses que falta apenas METADE direita do queixo/lábio voltar ao normal. Depois disso algumas vezes por mês volta a “formigar” nessa área, nada forte ou intenso. Porém nada de voltar ao normal. A abertura não avanço nada, mas o que antes era necessário um esforço para chegar ao auge da abertura, é realizado normalmente (sem utilizar a mão).

Mudanças: na parte respiratória é notável a melhora, respiração melhorou bastante, mesmo quando eu esperava que o nariz ficasse todo congestionado, de repente estava normal sem muito “trabalho”. Por um tempo chegou a comentar com o Cirurgião Bruno Torres e com minha família que a minha voz havia mudado, mas pensando bem a cirurgia poderia afetar a formação da voz, assim como melhorou a minha respiração. Como leva tempo ate o corpo se recompor, desencanei disso. Porém atualmente com a minha recuperação quase completa, conclui que houve uma leve mudança na voz, e mais do que isso: houve uma mudança na minha dicção também, melhorou. Antes algumas poucas vezes eu “engasgava” na palavra, e até agora vi uma melhora nesse sentido. E o sorriso ainda está um pouco estranho. E faz pouco mais de um mês que comecei a sentir dor no ouvido direito: breve, fraca, só que acho que umas 2 vezes por semana.